quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nesse equilibrio...

É essa ambição que te manda para a água gelada do mar mesmo quando o corpo está reconfortado pelo sol. É essa vontade que não deixa que as lágrimas esbatam um sorriso. É essa alegria que sai naturalmente, sem pressas, sem evidências, só tua e apenas tua. É essa persistência que passeia de mãos dadas com a mesquinhez mas que se afasta dela quando a relação é demasiado intíma. É o medo que assombra alguns dos passos e que antevê muitas das quedas. O medo sempre te fará cair, em silêncio e num sofrimento mudo. No entanto sabes que estará sempre lá o resto para te fazer ser vitoriosa no levantar. 



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Quem era para sempre

Hoje, na procura que dura há mais de uma semana por uma coisa mesmo muito importante que não encontro, dei por mim a ver fotografias antigas. Fotografias de pessoas importantes, de pessoas que naquele momento seriam para sempre. Nos momentos em que tirei as fotos, se me dissessem que passado poucos anos estas representariam apenas recordações, eu não acreditaria. Discutiria até ao fim argumentando que conhecia a pessoa, que conhecia a nossa amizade, que confiava nela e que seria para sempre. Conto pelos dedos das mãos com quantas isso aconteceu. Confesso que me senti nostálgica, independentemente dos motivos que levaram à separação. Num casos eu errei e não soube pedir desculpa, noutros as pessoas erraram e eu não as quis mais comigo e noutros ainda separamo-nos sem saber muito bem porquê. Acabei por guardar todas as fotos sem nenhuma mágoa. Em todas elas eu estava feliz, com uns olhos brilhantes e uma sorriso partilhado e cúmplice. Percebo agora, que soube o que era sentir algumas das dores maiores que uma amizade pode trazer, que isso é a única coisa que a minha sensatez me permite guardar. Em algum momento aquela pessoa contribuiu para a minha alegria e isso nenhuma zanga, nenhuma separação e nenhum tempo nos pode tirar. Tudo o resto, foi-se embora com a presença física da pessoa.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Em espera....

Entidades públicas, privadas, semi privadas e afins... Venho encarecidamente fazer-vos um pedido: controlem-se com o tipo de músicas que colocam ao telefone enquanto esperamos para ser atendidos. Acabei de contactar uma que me pôs algo muito semelhante a uma sirene dos bombeiros (verídico) cujo toque ia aumentando à medida que o tempo passada. Baixava, começava a subir, atingia o auge do sofrimento para os meus ouvidos e descia. Eu sei que lá no fundo usam isso com o objetivo de nos fazer desligar, de impedir que alguma das assistentes simpáticas se irritem com tantas questões que a ultrapassam e que a fazem passar dez vezes a chamada para que nós tenhamos de repetir 10 vezes a mesma história..... mas, por favor, se têm algum respeito pelo nosso sistema auditivo mudem essa vossa atitude.


Estou tremendamente chateada com burocracias e instituições hoje. Mas não se nota muito pois não?





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Das pessoas...novamente


Há certas coisas que vamos aprendendo à medida que crescemos. Uma delas é a perder aquilo a que Erickson chama de "pseudo-estupidez". Começamos a perder aquela ideia de que somos os únicos iluminados que percebem tudo, de que os outros nunca alcançarão as nossas capacidades magníficas, de que somos o supra sumo da perspicácia e da inteligência. Quem ainda não perdeu isto, então ainda não atingiu a maturidade necessária para uma vida adulta. E para mim o grande problema está mesmo aí. Cada vez mais assisto a episódios deprimentes de pessoas que acham que, dentro daquilo que só revela uma limitação, estão a ser superiores aos tudo e todos. Julgam  que estão a chegar onde ninguém chegará pois são melhores e mais dotados. Temo o dia em que se vão confrontar com a certeza de são melhores do que alguém em algum aspeto: vão usar e abusar disso, vão marcar territórios, ter poderes, impor regras e autoritarismos. Mas temo mais ainda o dia em que perceberem que há sempre alguém que está um passo à sua frente. Facilmente sabemos ganhar. Esqueceram-se foi de nos ensinar a perder.   


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

The show must go on*


Cresces nos mais pequenos momentos, mesmo que estes não apresentem nenhuma lição específica. Sabes apenas que a pessoa que entrou ali não é a mesma que saiu. Foi inevitável. Não te tornas convencionalmente mais forte como tantos julgam. Era tão mais fácil se assim fosse. Enfraqueces e muitas vezes quebras de tal modo que temes que o rasgo te fique para sempre cravado no peito. Ele dói e talvez vá doer para sempre. Mas agora sabes como amenizar. Contorces a parte que mais aperta para que a sã faça o seu trabalho. Não experimentas a ingenuidade há muito tempo e tens pena disso. Tudo seria menos escuro se ainda tivesses. Acima de tudo, cresceste já o suficiente para saber que o percurso natural das coisas continua por muito que isso te pareça impossível, por muito que isso te magoe. 

Now, "The show must go on"




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A vontade

Há pessoas com vidas realmente muito difíceis, pessoas a quem falta uma coisa tão simples como a vontade. No decorrer da minha formação profissional tenho oportunidade de contactar com algumas. No entanto, cada uma das que chega deixa em mim um angústia inexplicável. Dizem-me que a falta de vontade é o pior que lhes podia ter acontecido. Falam-me dos choros quando pressentem que amanhece e têm inevitavelmente de se levantar e viver. Descrevem os momentos em que não conseguem ter a iniciativa de fazer coisas simples como comer, tomar banho, vestir-se. Apontam tomas de medicamentos em demasiada com a esperança implícita de que o corpo não aguente e repouse numa paragem que lhes permita terminar com o sofrimento. Lamentam famílias destruídas, filhos que não compreendem, filhos que maltratam, maridos que não apoiam, maridos que ameaçam. Não sabem o que estão a perder quando se isolam da vida nem lhes interessa. Nada lhes interessa já. É como se um vazio se tivesse apoderado de si e bloqueado tudo o que as faça sentir. Deixaram de saber o que é a alegria, a satisfação há muito tempo. Ouço-as com calma, buscando uma compreensão que sei que não tenho. Quando saio da sua beira sinto uma mistura de revolta e alívio: revolta por tantas vezes desesperar por coisas pequenas, alívio por sentir dentro de mim esssa vontade de mudar. 



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Malnutrição...

Há cerca de três, quatro meses decidi deixar de comer carne. Na verdade nunca tinha gostado muito, preferia sempre peixe e quando não havia opção comia em muito pouca quantidade. O problema foi que, como coincidiu com uma fase de maior ansiedade, com esta alteração no plano alimentar foi notória uma descida no meu peso na ordem dos 2, 3 kg. Nada de mais, pensei eu. O fim dos mundos e uma culpa extrema da falta de carne, pensou quem anda pela minha vida. Para apaziguar estas almas inquietas decidi ir ao nutricionista. Correu bem, ele sossegou-se quanto à carne (afinal não é tão indispensável como se julga e pode ser compensada com outros produtos que tenham proteína animal como o leite, os iogurtes, o ovo e o queijo) e prescreveu-me um plano para ter uma alimentação saudável. Basicamente, passo a vida a comer bocadinhos de pão e fruta, bebo muita água e às refeições tenho de ter um prato assim bem composto (legumes, hidratos de carbono e proteína). Faço isso acerca de um mês (com alguns dias de batota) e ontem, toda convencida, lá fui eu mostrar-lhe que já estava melhor. Ponto um: chego lá e o meu peso estava EXATAMENTE o mesmo, sem uma décima a mais ou a menos. Correu logo mal. Ponto dois: ele quis fazer uma coisa muito engraçada que se chama  bio-impedância tetrapolar, um exame com eletrodos na pele que permite uma análise qualitativa e quantitativa da composição corporal. Resultado mais relevante e que ele fez questão de sublinhar de uma forma que quase rasgou o papel: Malnutrição (IMCC abaixo de oito para quem percebe da coisa). Basicamente, falta-me massa muscular, a massa livre de gordura está muito baixa, e a água extracelular alta (o que indica que as paredes das minhas células estão mal nutridas e deixam passar a água, muito ao jeito do que acontece com aquelas crianças dos países mais pobres muito magros com a barriga muito grande). Conclusão: raspanete daqueles, muita ginástica para ganhar massa muscular, continuação do raspanete e melhoria na alimentação. Não passar refeições e comer, no mínimo o que ele me mandou (que para mim já é uma dieta como diz a minha avó, de engordar os porcos para a matança). Daqui a três semanas lá vai ele fazer o exame outra vez. 

Fiquem esta imagem minha antes de tudo isto porque daqui a três semanas já ninguém me vai reconhecer de tão musculada que estou....Vamos vendo os progressos ao longo do tempo.


O antes: 




P.s. Eu sei que as minhas pernas mais parecem umas canetas para ele não precisava de ter humilhado tanto. 


O depois: 



Nesta fase vou-me escrever em concursos e apregoar o orgulho que tenho no músculo (como li no facebook de um rapaz há dias) e espero ter o apoio de todos vocês.