Ontem dei por mim a
ler na HAPPY deste mês um artigo intitulado "O que é ser adulto
hoje?". Percebi, no decorrer da leitura que eu (e mais meio mundo da minha
idade) me encaixava num perfil a que eles chamavam de "adulto inacabado".
Esta espécie, dizem eles, tem entre 25 e 44 anos, vive em união de
facto, é divorciado ou solteiro, tem ensino secundário ou licenciatura e uma
profissão intelectual. A parte do inacabado deixou-me a pensar e sim, sinto que
o somos. Mas com isso não queiramos dizer que somos conformistas, estagnados ou
que nos resignamos com metas de fácil alcance. Pelo contrário, acho que
posso dizer que somos uma das gerações com maior capacidade de luta e resiliência.
Crescemos a sentir que, tal como aconteceu com os nossos pais, tudo iria ser
fácil e intuitivo. Muito deles não tiveram oportunidades de ensino superior e
nós conseguimo-lo. Porém contrariamente ao que acontecia em anos anteriores não
tivemos emprego já nos primeiros anos de faculdade e no final tivemos de lutar
muito para ter um. Muitos de nós não conseguiram ainda mas nem por isso
desistiram: reinventaram-se, aprenderam novas coisas, construíram novas
ideias, criaram novos negócios e forma de crescer. Foram procurar, falar com
pessoas e criar oportunidades. E o mais engraçado? É que muitas dessas pessoas
que foram jovens nos anos de ouro nem sequer sabem valorizar o nosso trabalho.
Tiveram tudo e mesmo assim não aprenderam a ter a sapiência de ensinar e
valorizar novas pessoas e conhecimentos. Pior, são os que mais se queixam. E nós,
que não temos um emprego das 9h às 17h como muitos deles e que passamos muitas
noites a trabalhar sem receber nada em troca, que temos muitas vezes de ir para
longe à procura das oportunidades, que vivemos de recibos verdes e nos
dividimos por 5 empregos, nós é que somos os jovens desmazelados que não fazem
nem sabem nada. Não quero cair no erro das generalizações mas sinto que é essa
a ideia que ainda povoa muitas dessas cabeças.
Espero apenas que
daqui a uns anos, quando esses adultos forem mais velhos olhem para nós com o respeito que sei que o esforço que fizemos merece, percebendo o
papel que tivemos para criar uma sociedade mais pró-ativa e empreendedora. Tivéssemos nós
tido a postura de muito deles e veríamos o quão pior tudo estaria a ser.






